23/02/26
Cada vez mais mulheres estão deixando para trás a rotina de retoques a cada 15 dias e assumindo os cabelos brancos como uma escolha consciente. O que antes era visto como sinal de descuido ou envelhecimento precoce, hoje ganha novo significado: autenticidade, liberdade e empoderamento. Nos salões e nas redes sociais, os fios grisalhos deixaram de ser tabu para se tornar tendência — e, mais do que isso, posicionamento.
A professora do curso de Estética e Cosmética da Estácio, especialista em terapia capilar, Eloá Fernandes, confirma a mudança de comportamento. “A gente tem percebido um aumento bem significativo de mulheres que estão optando por assumir os fios brancos. Muitas chegam dizendo que não querem mais esconder quem são, nem ficar presas à obrigação constante de retoques”, afirma. Segundo ela, o cabelo branco deixou de ser apenas um sinal de idade e passou a representar personalidade e estilo.
Cuidados específicos e valorização estética
Apesar de não passarem por processos químicos de coloração, os fios brancos exigem atenção especial. Eloá explica que os cabelos grisalhos tendem a ser mais porosos, ressecados e amarelarem com facilidade. “É importante investir em hidratações frequentes, máscaras reconstrutoras e produtos ricos em nutrientes, como óleos leves. O uso de xampus matizadores deve ser feito com cuidado, para evitar aquele aspecto arroxeado. O objetivo é trazer luminosidade, sedosidade e um aspecto saudável”, orienta.
O corte também é estratégico. Segundo a especialista, cortes que tragam leveza e movimento ajudam a harmonizar o visual e reforçam a identidade da mulher. “Um cabelo branco bem tratado, com corte adequado e finalização correta, se transforma em símbolo de elegância e empoderamento. O salão mostra que cabelo branco é escolha, não falta de cuidado.”
Pressão estética e saúde mental
Para além da estética, o tema envolve saúde emocional. A professora do curso de Psicologia da Estácio e uma das coordenadoras do projeto Mulheres Empreendedoras e Empoderadas do Instituto Yduqs, Valéria Wanda, destaca que a pressão social pela
juventude eterna impacta diretamente a autoestima feminina. “Tradicionalmente, o cabelo branco na mulher era associado à velhice. Hoje há alternativas e uma nova forma de lidar com isso. Assumir os fios brancos pode ser um processo de resiliência emocional, uma maneira de enfrentar a opressão estética e afirmar a própria identidade”, analisa.
Ela observa que ainda existem diferenças de gênero na forma como o envelhecimento é percebido. “O cabelo grisalho no homem costuma ser visto como charme. Já a mulher vive esse medo do envelhecer, dividido entre parecer jovem ou aceitar as mudanças do tempo. O que está em jogo é autoestima, sensação de valor, capacidade de sedução e o lugar que se ocupa no mundo”, explica.
Segundo Valéria, envelhecer não pode ser automaticamente associado à perda ou à doença. “Hoje usar cabelos brancos é uma opção. Antes, essa escolha praticamente não existia. A liberdade de decidir pintar ou não pintar é o ponto central. O importante é que seja uma decisão da própria mulher”.
Mais que estética, uma afirmação de identidade
O movimento dos grisalhos vai além de uma tendência de beleza. Ele reflete transformações culturais, questiona padrões rígidos e abre espaço para que mulheres jovens ou maduras se reconheçam como protagonistas de suas próprias histórias.
Entre hidratações, cortes estratégicos e debates sobre saúde mental, os fios brancos ganham novo significado: não representam desistência, mas decisão. Em vez de esconder o tempo, muitas mulheres escolhem dialogar com ele — com estilo, consciência e, sobretudo, autonomia.
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