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11/09/26

Ribeirão Preto registra 1.170 acidentes com escorpiões nos primeiros sete meses de 2026

Ribeirão Preto registrou 1.170 acidentes com escorpiões entre janeiro e julho de 2026, segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde. O número representa uma alta de 13,9% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 1.027 ocorrências. O avanço mantém o tema em atenção no município. Em todo o ano de 2025, Ribeirão Preto registrou 1.998 acidentes, contra 1.502 em 2024.

Uma das espécies que mais preocupa as autoridades de saúde é o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), que apresenta fácil adaptação ao ambiente urbano e maior potencial de gravidade do envenenamento. Dentro das residências, ralos, frestas, caixas de gordura, calçados, roupas e objetos acumulados podem servir de abrigo para o animal e aumentar as chances de contato com os moradores.

Segundo Camila Alvim, docente do curso de Biomedicina da Estácio, o escorpião-amarelo não costuma apresentar comportamento agressivo, mas pode reagir ao se sentir ameaçado. “Ele procura abrigo em ralos, frestas, caixas de gordura e objetos acumulados, o que acaba aumentando as chances de contato com as pessoas dentro de casa”, explica.

Prevenção começa dentro de casa

Para reduzir os riscos, alguns cuidados simples devem fazer parte da rotina. Entre eles estão proteger os ralos, vedar frestas e vãos, evitar o acúmulo de entulhos, folhas secas e materiais de construção e manter quintais e jardins limpos. Roupas, toalhas e calçados também devem ser verificados antes do uso.

Outro cuidado importante é evitar a proliferação de baratas, uma das principais fontes de alimento dos escorpiões. O acondicionamento correto do lixo e a limpeza dos ambientes ajudam a tornar as residências menos favoráveis à presença desses animais.

Os cuidados merecem atenção especial nos períodos de aumento da temperatura e da umidade, condições associadas à maior atividade dos escorpiões.

Crianças exigem atenção especial

Após uma picada, a rapidez na busca por atendimento médico é fundamental, principalmente no caso das crianças. A médica pediatra, infectologista e professora do IDOMED, Dra. Sílvia Nunes Szente Fonseca, reforça que os menores apresentam maior risco de evolução para quadros graves.

Em Ribeirão Preto, crianças de até 10 anos, 11 meses e 29 dias vítimas de picada de escorpião devem ser levadas imediatamente ao Hospital das Clínicas – Unidade de Emergência (HC-UE), ponto estratégico de soroterapia antiveneno do município, independentemente da gravidade inicial do quadro.

Para pessoas a partir de 11 anos, a orientação é procurar rapidamente uma UPA ou outro serviço de emergência. Os pacientes que apresentarem quadro moderado ou grave são encaminhados ao HC-UE para avaliação e, quando indicado, administração do soro antiescorpiônico.

“Vômitos persistentes, falta de ar, sensação de fechamento da garganta, suor excessivo, palpitações, tontura e visão turva são sinais de maior gravidade e exigem atendimento imediato na Unidade de Emergência. Para adultos e crianças acima de 10 anos sem esses sintomas, a avaliação pode ser realizada em uma UPA”, orienta Sílvia.

Após a picada, não se deve cortar ou espremer o local, tentar retirar o veneno, fazer torniquetes ou aplicar substâncias caseiras. A recomendação é lavar a região com água e sabão e buscar atendimento médico o mais rápido possível.

“A prevenção precisa fazer parte da rotina. Manter os ambientes limpos, eliminar locais que possam servir de abrigo e ficar atento aos pontos de entrada dos escorpiões são medidas importantes para reduzir o risco de acidentes e proteger principalmente as crianças”, conclui Sílvia.

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